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20 de novembro
Dia Nacional da Consciência Negra



Data dedicada a lembrança do herói negro Zumbi dos Palmares,
morto numa emboscada, em 20 de novembro de 1695.

Edição e Pesquisa de Lenise Resende
 

Histórico:


• 1590- 1716 - Quilombo na língua banto (dialeto africano) significa povoação. Os quilombos funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi o quilombo Palmares, criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio dos escravos que haviam se amotinado em um engenho de Porto Calvo, em Alagoas. Localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Era chamado de Angola-Janga (pequena angola), por seus habitantes que falavam o dialeto branto. Eles plantavam, pescavam, e caçavam. Alguns eram hábeis artesãos e conheciam a metalurgia. A produção excedente do quilombo, era comercializada nos vilarejos. Palmares transformou-se num estado autônomo, resistindo aos ataques holandeses, luso-brasileiros e de bandeirantes paulistas. O governo colonial e os senhores de engenho não gostavam do mau exemplo daqueles negros livres que saqueavam os engenhos e o comércio, matavam os brancos e sequestravam mulheres. Além disso, vender escravos era um negócio lucrativo. O fogo cerrado contra o quilombo começou em 1680, quando Palmares recusou o tratado de paz com os brancos. Os portugueses contrataram o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, que foi rechaçado quando subiu a serra da Barriga em 1692. O bandeirante voltou em 1694, com 9.000 homens e seis canhões. O cerco durou 42 dias e mais de 400 guerreiros foram mortos no local. Milhares fugiram para as matas, mas quase todos foram capturados ou degolados. Zumbi conseguiu fugir mas morreu um ano depois em uma emboscada. O quilombo Palmares foi totalmente destruído em 1716. Nas cidades, o fim do quilombo foi festejado. O governador da Capitania de Pernambuco mandou rezar missa solene, encheu Olinda e Recife de lanternas e jogou dinheiro para o povo das janelas do palácio.

• 1630 - 1678 - Ganga Zumba era um negro africano alto e forte que chegou a Palmares por volta de 1630, e pouco se sabe sobre ele. Nesta época, Palmares era formado por povoados, os mocambos (mukambo é esconderijo no dialeto banto). Ganga Zumba mostrou aos líderes locais que um quilombo unido dificilmente seria vencido. Foi eleito comandante geral, reunindo os onze maiores mocambos em uma confederação. Foi o início do período mais próspero e feliz de Palmares. Porém, para acabar com as tentativas de invasão que não cessavam, obrigando-os a viver sempre na expectativa de uma guerra, em 1678, Ganga Zumba negociou uma paz duradoura com os brancos. Zumbi e a maioria do povo do quilombo não acreditaram na paz dos brancos. Mas, no dia 5 de fevereiro de 1678, Ganga Zumba, acompanhado de 400 quilombolas, foi para Recife e depois rumo a Cucaú. Após conhecer o local onde se instalariam, percebeu que caíra numa armadilha. Despediu-se de seus homens mandou-os de volta para Palmares e se matou tomando um licor envenenado. Com a morte de Ganga Zumba, Zumbi tomou o poder no quilombo Palmares.

• 1655- 1695 - Zumbi foi o grande líder dos escravos no século XVII, considerado herói da resistência anti-escravagista. Estudos indicam que nasceu no quilombo Palmares, em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Com poucos dias de vida, foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso. Foi entregue ao padre Antônio Melo que o batizou com o nome de Francisco. Aos 15 anos, fugiu da casa do padre e retornou a Palmares, mudando o nome para Zumbi, que na língua banto quer dizer Senhor da Guerra. Não demorou muito, foi eleito chefe de uma aldeia e, com muita raça e pulso firme, logo tornou-se comandante geral do exército de Palmares. Começou a ser idolatrado quando, ao contrário de Ganga Zumba, não aceitou o falso tratado de paz proposto pelo governo. Com a morte de Ganga Zumba, Zumbi tomou o poder no quilombo Palmares. Ordenou que fossem degolados os seguidores de Ganga Zumba, mandou matar seus rivais internos, transformou Macaco, sede de Palmares, numa gigantesca fortaleza. Morreu aos 40 anos, após lutar durante dezessete anos contra milícias organizadas por donos de terras. Numa incursão comandada por Domingos Jorge Velho, foi abatido no seu esconderijo, descoberto depois da traição de Antônio Soares, um de seus principais comandantes, que revelou onde o líder se encontrava.

• Hoje - Embora não existam mais quilombos por aqui, comunidades remanescentes se instalaram em vários estados do país. No total, 743 foram identificadas, mas só 29 foram tituladas oficialmente pelo governo. Localizadas em SP, RJ, PA, MA, PE, MT, MS, BA, SE, GO e AP, estas comunidades detém os Direitos Culturais Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da Constituição Federal que tratam das questões relativas à preservação dos valores culturais da população negra. Além disso, suas terras são consideradas Território Cultural Nacional. Estima-se que 2 milhões de pessoas vivam nestas comunidades organizadas para garantir o direito à propriedade da terra. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do governo federal, que confere às comunidades o direito ao título de posse da terra, os habitantes remanescentes dos quilombos preservam o meio ambiente e respeitam o local onde vivem. Mas sofrem constantes ameaças de expropriação e invasão das terras por inimigos que cobiçam as riquezas em recursos naturais, fertilidade do solo e qualidade da madeira.

Fontes: IBGE Teen, Capoeira Sul da Bahia.


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