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Histórico:
• 1590- 1716 - Quilombo na língua banto (dialeto
africano) significa povoação. Os quilombos funcionavam
como núcleos habitacionais e comerciais, além de local
de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos
fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi
o quilombo Palmares, criado no final de 1590 a partir de
um pequeno refúgio dos escravos que haviam se amotinado
em um engenho de Porto Calvo, em Alagoas. Localizado na
Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou,
chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Era chamado de
Angola-Janga (pequena angola), por seus habitantes que
falavam o dialeto branto. Eles plantavam, pescavam, e
caçavam. Alguns eram hábeis artesãos e conheciam a
metalurgia. A produção excedente do quilombo, era
comercializada nos vilarejos. Palmares transformou-se
num estado autônomo, resistindo aos ataques holandeses,
luso-brasileiros e de bandeirantes paulistas. O governo
colonial e os senhores de engenho não gostavam do mau
exemplo daqueles negros livres que saqueavam os engenhos
e o comércio, matavam os brancos e sequestravam
mulheres. Além disso, vender escravos era um negócio
lucrativo. O fogo cerrado contra o quilombo começou em
1680, quando Palmares recusou o tratado de paz com os
brancos. Os portugueses contrataram o bandeirante
paulista Domingos Jorge Velho, que foi rechaçado quando
subiu a serra da Barriga em 1692. O bandeirante voltou
em 1694, com 9.000 homens e seis canhões. O cerco durou
42 dias e mais de 400 guerreiros foram mortos no local.
Milhares fugiram para as matas, mas quase todos foram
capturados ou degolados. Zumbi conseguiu fugir mas
morreu um ano depois em uma emboscada. O quilombo
Palmares foi totalmente destruído em 1716. Nas cidades,
o fim do quilombo foi festejado. O governador da
Capitania de Pernambuco mandou rezar missa solene,
encheu Olinda e Recife de lanternas e jogou dinheiro
para o povo das janelas do palácio.
• 1630 - 1678 - Ganga Zumba era um negro africano
alto e forte que chegou a Palmares por volta de 1630, e
pouco se sabe sobre ele. Nesta época, Palmares era
formado por povoados, os mocambos (mukambo é esconderijo
no dialeto banto). Ganga Zumba mostrou aos líderes
locais que um quilombo unido dificilmente seria vencido.
Foi eleito comandante geral, reunindo os onze maiores
mocambos em uma confederação. Foi o início do período
mais próspero e feliz de Palmares. Porém, para acabar
com as tentativas de invasão que não cessavam,
obrigando-os a viver sempre na expectativa de uma
guerra, em 1678, Ganga Zumba negociou uma paz duradoura
com os brancos. Zumbi e a maioria do povo do quilombo
não acreditaram na paz dos brancos. Mas, no dia 5 de
fevereiro de 1678, Ganga Zumba, acompanhado de 400
quilombolas, foi para Recife e depois rumo a Cucaú. Após
conhecer o local onde se instalariam, percebeu que caíra
numa armadilha. Despediu-se de seus homens mandou-os de
volta para Palmares e se matou tomando um licor
envenenado. Com a morte de Ganga Zumba, Zumbi tomou o
poder no quilombo Palmares.
• 1655- 1695 - Zumbi foi o grande líder dos
escravos no século XVII, considerado herói da
resistência anti-escravagista. Estudos indicam que
nasceu no quilombo Palmares, em 1655, sendo descendente
de guerreiros angolanos. Com poucos dias de vida, foi
aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso. Foi
entregue ao padre Antônio Melo que o batizou com o nome
de Francisco. Aos 15 anos, fugiu da casa do padre e
retornou a Palmares, mudando o nome para Zumbi, que na
língua banto quer dizer Senhor da Guerra. Não demorou
muito, foi eleito chefe de uma aldeia e, com muita raça
e pulso firme, logo tornou-se comandante geral do
exército de Palmares. Começou a ser idolatrado quando,
ao contrário de Ganga Zumba, não aceitou o falso tratado
de paz proposto pelo governo. Com a morte de Ganga Zumba,
Zumbi tomou o poder no quilombo Palmares. Ordenou que
fossem degolados os seguidores de Ganga Zumba, mandou
matar seus rivais internos, transformou Macaco, sede de
Palmares, numa gigantesca fortaleza. Morreu aos 40 anos,
após lutar durante dezessete anos contra milícias
organizadas por donos de terras. Numa incursão comandada
por Domingos Jorge Velho, foi abatido no seu
esconderijo, descoberto depois da traição de Antônio
Soares, um de seus principais comandantes, que revelou
onde o líder se encontrava.
• Hoje - Embora não existam mais quilombos por
aqui, comunidades remanescentes se instalaram em vários
estados do país. No total, 743 foram identificadas, mas
só 29 foram tituladas oficialmente pelo governo.
Localizadas em SP, RJ, PA, MA, PE, MT, MS, BA, SE, GO e
AP, estas comunidades detém os Direitos Culturais
Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da
Constituição Federal que tratam das questões relativas à
preservação dos valores culturais da população negra.
Além disso, suas terras são consideradas Território
Cultural Nacional. Estima-se que 2 milhões de pessoas
vivam nestas comunidades organizadas para garantir o
direito à propriedade da terra. Segundo a
Fundação Cultural Palmares, do governo federal, que
confere às comunidades o direito ao título de posse da
terra, os habitantes remanescentes dos quilombos
preservam o meio ambiente e respeitam o local onde
vivem. Mas sofrem constantes ameaças de expropriação e
invasão das terras por inimigos que cobiçam as riquezas
em recursos naturais, fertilidade do solo e qualidade da
madeira.
Fontes:
IBGE Teen,
Capoeira Sul da Bahia. |